Mudanças no futebol
Sistema on-line da Fifa vai controlar transferências em todo o mundo
Mais transparência nas transações milionárias, como a de jogadores do nível de Cristiano Ronaldo
O mercado de transferências de jogadores de futebol se transformou em uma das maiores taxas de retorno de investimentos do planeta. É uma verdadeira indústria que gera milhões de empregos e divisas em todo o mundo, algo em torno de US$ 250 bilhões (R$ 423 bi) por ano. No Brasil, segundo dados divulgados pelo Banco Central, a transferência de atletas para o exterior é de cerca de US$ 114,9 milhões (R$ 194 mi) ao ano e cresce numa média de 17% ao ano, superando o que o País fatura com a exportação de produtos como cacau e de banana. Entretanto, o próprio Banco Central acredita que esses números são bem abaixo do real, pois a maior parte do dinheiro com transações de jogadores vai acabar em paraísos fiscais.
Constam nos registros da Fifa 301 mil clubes de futebol, mais de 38 milhões de atletas profissionais inscritos, sendo 4,1 milhões de mulheres, 4,5 milhões de árbitros e 70 mil treinadores.
Na Europa, centro maior das transferências, os valores pagos na transferência de jogadores aumentaram significativamente. A transferência de Cristiano Ronaldo, do Manchester United, para o Real Madrid, por 94 milhões de euros, é um dos exemplos. O estabelecimento do atual modelo Champions League, a liberalização do número de estrangeiros nas equipes e a instituição das clausulas de rescisão nos contratos dos jogadores, foram fatores que resultaram em enormes quantias pagas na aquisição das melhores estrelas mundiais.
A entrada dos milionários russos, como Abramovich, no mercado, fez crescer o total de transações e também fez aumentar a desconfiança sobre a lisura dos negócios.
Preocupada com a falta de clareza nos investimentos dos clubes em todo o mundo, a Fifa instituiu desde sexta-feira (1º), o uso do Transfer Matching System (TMS), sistema on-line que se vale das tecnologias eletrônicas atuais para tornar as transferências internacionais mais transparentes e para proteger os atletas menores de idade. O TSM será obrigatório em todas as transferências internacionais. Ele foi criado em fevereiro de 2008 e passou por uma fase de testes que atingiu 18 países. Agora, foi implantado de forma oficial em todos os países filiados à entidade, englobando um total de 3.633 clubes.
Para Joseph Blatter, presidente da Fifa, este é um momento histórico para o futebol mundial.
“O TMS é um sistema on-line relativamente simples, mas causará um enorme impacto sobre a transferência internacional de jogadores. Graças ao TMS, as autoridades do futebol terão mais detalhes sobre cada transferência e tornará mais transparente cada transação, ajudando a combater a lavagem de dinheiro além de proteger menores de idade envolvidos em negócios ilícitos.
De acordo com o sistema, os dois clubes envolvidos em uma transferência precisam informar os mesmos dados no TMS. Do contrário, a transação será bloqueada e a federação em questão não poderá emitir o Certificado Internacional de Transferência.
Como funciona
De acordo com dados divulgados pela Fifa, cada transferência necessita de mais de 30 informações diferentes, como detalhes sobre o jogador, os clubes, todos os pagamentos e valores, prazos, dados bancários e pagamentos da contribuição de solidariedade a clubes em que o jogador em questão tenha atuado anteriormente. Esses detalhes também precisam ser comprovados por cópias de documentos de identificação do jogador, pelo seu novo contrato de trabalho e pelo contrato de transferência entre o clube antigo e o clube novo. A nova plataforma substitui o antigo sistema que usava documentos em papel.
No caso de jogadores jovens e menores de idade, o TMS também tem uma função vital. Por monitorar o histórico de cada jogador, o sistema pode ser usado para que cada clube com participação na formação de um atleta possa receber as quantias apropriadas quando o atleta em questão for negociado para outra agremiação.
Além disso, o sistema foi adaptado para auxiliar a Fifa nos seus esforços de redução do número de transferências internacionais de jogadores menores de idade. De acordo com o texto sancionado pelo Congresso da Fifa em 2009, as transferências desses atletas — e as solicitações de registro de menores de idade para atuação em países dos quais não sejam cidadãos — precisam ser inicialmente aprovadas por um subcomitê do Comitê de Status deJogadores da entidade. O TMS gerencia tanto a solicitação inicial quanto o processo posterior de tomada de decisão. (Fonte: Arca Universa)



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