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Mais de três mil milhões de euros de prejuízos nos EUA causados pelo furacão Irene

Desde a sua chegada no sábado à costa leste dos Estados Unidos, o furacão “Irene” já matou mais de 15 pessoas. Entre as vítimas da Carolina do Norte, Virgina, Nova Jérsia, Maryland, Pensilvânia, Connecticut e Florida estão um rapaz de onze anos, que morreu quando uma árvore caiu em cima do apartamento onde se encontrava, e um surfista de 55 anos que ignorou os alertas e decidiu ficar no mar.

Apesar da intensidade do furação ter sido ontem reduzida para a categoria de tempestade tropical, o Irene manteve-se com ventos que rondavam os 104 quilómetros por hora e deixou inundadas algumas zonas de Manhattan. Antes de chegar a Nova Iorque, durante a madrugada de ontem, o furação provocou um rasto de destruição pela costa leste dos Estados Unidos e foi considerado um dos piores dos últimos anos.

De acordo com especialistas citados pela agência Bloomberg, os prejuízos orçamentados pelas seguradoras ascendem a três mil milhões de euros.

A secretária da Segurança Interna, Janet Napolitano, afirmou ontem, ao fim da manhã em Nova Iorque, que “o pior da tempestade já tinha passado”, mas que a situação era ainda “perigosa”. “Agora o furação Irene está a deixar a área de Nova Iorque, Nova Jérsia, vai continuar a subir a costa em direcção a Nova Inglaterra durante o dia”, afirmou. “Onde quer que esteja, entre a Carolina do Norte até Maine, aconselhamos-lhe a ficar longe das estradas o mais possível, por forma a mantê-las vazias para emergências e para veículos que estão a trabalhar na restituição de electricidade”, acrescentou.

Para o director da Federal Emergency Management Agency (FEMA), Craig Fugate, a diminuição da categoria para tempestade tropical “não conta a história toda” e a situação continua a ser perigosa. “Algumas das piores inundações no nosso país foram provocadas por tempestades tropicais”, alertou Fugate através da conta de Twitter do organismo que dirige, que tem mantido as pessoas actualizadas no que toca à evolução da tempestade. A FEMA disponibilizou inclusive um novo programa para os telemóveis de última geração com toda a informação sobre o furacão Irene.

Só em Nova Iorque, mais de 370 mil pessoas foram aconselhadas a deixar as suas casas nas zonas costeiras do sul de Manhattan, Staten Island e Brooklyn, os serviços dos transportes públicos foram cancelados, os aeroportos John F. Kennedy, LaGuardia e Newark foram fechados, cancelando oito mil voos, e houve cortes na electricidade e na água. “Não é uma piada, sua vida pode estar em risco. Não esperem, depois será muito tarde. É necessário partir de imediato. É uma questão de vida ou de morte”, disse o presidente da câmara da cidade Michael Bloomberg, aconselhando as pessoas a irem procurar abrigo em locais fora de perigo.

O presidente Barack Obama, que estava de férias, foi obrigado a regressar mais cedo para coordenar a situação. Segundo a BBC, após o governo federal ter sido muito criticado na resposta ao furacão Katrina, há seis anos, o líder norte-americano quer evitar que a situação se repita. O Pentágono tem preparados, desde sábado, 200 camiões com material de emergência, 18 helicópteros e 100 mil homens da Guarda Nacional estão a postos para intervir a qualquer altura.

De acordo com a Sky News, cerca de um milhão de pessoas em Nova Iorque e Nova Jérsia foi afectada pela tempestade tropical. Em declarações à NBC, o governador Chris Christie de Nova Jérsia afirmou que os danos provocados podem chegar “às dezenas de milhares de milhões”. Já a agência Bloomberg afirma que prejuízos para as seguradoras ascendem a três mil milhões de euros. Chuvas torrenciais e ventos fortes continuaram ontem a afectar esta zona do país e o instituto de meteorologia dos Estados Unidos lançou um alerta de tornado além do de furação.

“A última vez que olhei pela janela, só vi carros da polícia na West 34th Street, o que nunca acontece. Esta é uma das ruas mais movimentadas de Manhattan, 24 horas por dia, os sete dias da semana”, contou Jay à BBC. Já o estudante Ryan Narcisse of Roselle, de Nova Jérsia, afirmou que esta era “a primeira vez” que testemunhava tal situação. “É tenso. É espectacular. O vento. Temos de nos preocupar com a electricidade que vai abaixo, que é uma questão importante. O governador de Nova Jérsia disponibilizou seis mil electricistas para repararem as linhas de electricidade, mas penso que isso não vai ser suficiente tendo em conta os estragos que vão aparecer depois da tempestade. Não estamos habituados a tudo isto na costa leste”, acrescentou.

Um dos receios durante o dia de ontem era que a tempestade provocasse a subida das águas do Rio Hudson, em Nova Iorque, afectando a zona empresarial na baixa de Manhattan. Em Wall Street, sacos de areia foram colocados às portas de entrada do metro, que pela primeira vez na História foi encerrado devidos às condições meteorológicas. O estado de emergência foi declarado na Carolina do Norte, Maryland, Virginia, Delaware, Nova Jérsia, Nova Iorque e Connecticut.

Segundo Patricia Billinger da Cruz Vermelha americana em declarações à BBC, cerca de 27 mil pessoas da costa leste dos Estados Unidos encontravam-se refugiadas em abrigos. Furacões desta magnitude são um fenómeno raro na costa leste dos Estados Unidos. Os últimos a provocarem danos na região foram o furacão Bob, em 1991, e o Glória em 1985.

(Fonte: informação)

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